A SPTuris, órgão da Prefeitura de São Paulo encarregado de analisar convênio no valor de R$ 7,5 milhões firmado entre o município e a Endurance Racing Eventos Ltda., empresa do ex-campeão de F-1 Emerson Fittipaldi, referente à edição de 2014 da competição Le Mans - 6 Horas de São Paulo, rejeitou esta semana, pela segunda vez, a prestação de contas referente à competição.
O relatório da SPTuris foi enviado à Secretaria de Governo Municipal, com quem foi celebrado o convênio com a Endurance e que dará o posicionamento final. Há a possibilidade de a Prefeitura acionar judicialmente a empresa de Fittipaldi.
Um dos gastos apresentados, mostra relatório da SPTuris ao qual este blog teve acesso, refere-se a ''carrinho de rolimã'' no valor de R$ 5.470,00. Em sites de compras na internet é possível encontrar carrinhos de rolimã por até menos de R$ 100.
Apesar de o convênio celebrado entre Prefeitura e a empresa ter sido de patrocínio, estava previsto que a Endurance teria que comprovar gastos previstos no orçamento e também conceder algumas contrapartidas à Prefeitura de São Paulo.
A prestação de contas foi encaminhada pela Prefeitura para avaliação dos técnicos da gerência de controle de contratos da SPTuris, por eles terem expertise na área de competições automobilísticas. Eles reprovaram a prestação de contas por falta de nota de despesas.
Em caráter excepcional, foi concedido ainda um prazo adicional de 48 horas, para que a Endurance comprovasse de forma integral e satisfatória os gastos, o que não aconteceu.
O documento também aponta que contrapartidas para a Prefeitura, como a disponibilização de uma cota de exemplares do programa oficial, e a cessão de espaço em página dupla no programa oficial de evento com a divulgação do nome da cidade, não foram cumpridas.
Ficou em aberto, no mínimo, um valor superior a R$ 1,4 milhão.
Há, ainda, três recibos, que totalizam R$ 5,9 milhões, que não estão em nome da Endurance Racing Eventos Ltda, com quem a Prefeitura firmou o convênio, mas em nome da EF Marketing LLC (quem tem as iniciais de Emerson Fittipaldi). Para que os recibos sejam aceitos na prestação de contas, a SPTuris exige que seja encartado um contrato celebrado entre as duas empresas.
Para justificar os valores em aberto, a empresa apresentou uma planilha, recibos na avaliação de técnicos sem validade fiscal e documentos que apontam contradições. Segundo relatório da SPTuris, um deles mostra que um dos pagamentos foi feito por meio de três cheques e não em TED, como documentado, e valores diferentes: outro uma quitação apenas parcial de um valor e para outros gastos não são apresentadas as referentes comprovações fiscais.
Além do valor do ''carrinho de rolimã'', há mais itens com valores que causam estranheza, como os itens ''paginação'' e ''projeto editoria'', que juntos somam mais de R$ 81 mil.
Ainda segundo o relatório, a Endurance alegou que alguns recibos ou documentos haviam sido encaminhados à Prefeitura. Porém eles não constavam do ''pacote'' que chegou à SPTuris.
Procurada pelo blog, a assessoria de imprensa de Emerson Fittipaldi enviou, em nota, o seguinte comunicado:
''A prestação de contas não foi rejeitada. Continua em análise, Da nossa parte [Fittipaldi], o evento foi organizado nos mesmos parâmetros que nem em 2012 e 2013 quando a Prefeitura aprovou a prestação de contas.''

Nenhum comentário:
Postar um comentário