Desde que eclodiu o escândalo de corrupção na Fifa, Marco Polo Del Nero adotou a estratégia ''quem não deve não teme''. Apostou numa superexposição, aparecendo no noticiário mais da maneira como quer do que pelos desdobramentos das investigações do FBI sobre corrupção na Fifa e na CBF.
Sua tática é oposta à usada por outros brasileiros suspeitos de participação no esquema e que permanecem reclusos. Preso, Marin não colocou seu advogado em contato com a imprensa. Ricardo Teixeira, suspeito de ter recebido propina juntamente com Marin, e J.Hawilla, pagador de subornos confesso, não saíram da toca. Seus advogados não se pronunciaram.
Já Del Nero, logo depois de deixar a Suíça às pressas, sem nem votar na eleição da entidade, deu entrevista coletiva para defender sua inocência. O que se viu em seguida foi uma lotada agenda proativa.
O presidente da CBF se reuniu com presidentes de federações estaduais, visitou a seleção brasileira na Granja Comary, na segunda fez reunião com representantes de clubes e nesta terça prestará esclarecimentos à Comissão de Esportes da Câmara. Na quinta participará de assembleia geral para mudar o estatuto da entidade. Pelo menos uma das alterações visa dar ares de modernidade à CBF: a limitação de uma reeleição para o presidente.
Nesse roteiro, que se parece até com rotina de candidato às vésperas de eleição, o evento mais surpreendente é a presença na Câmara. Del Nero não precisava ir. Ricardo Teixeira, o empresário Kléber Leite e até Marin, mesmo preso, foram convidados. Mas a comissão só anunciou a presença de Del Nero.
Se recusasse o convite, feito a partir de iniciativa do deputado Marcelo Matos (PDT-RJ), o cartola não sofreria nenhuma sanção, mas preferiu aparecer.
A visita surpreendeu Silvio Torres (PSDB-SP), relator da CPI instalada em 2000 para investigar a CBF, membro da comissão e um dos principais críticos da entidade no Congresso Nacional. ''Não sabia que ele vai. Não discutimos sobre convidar o Marco Polo na última reunião e nem fui comunicado sobre a ida dele, como normalmente acontece. É capaz que a sessão esteja até esvaziada'', disse Torres ao blog.
Na Câmara, Del Nero deve repetir o que já disse para presidentes de federações e para a imprensa sem convencer: não mandava durante a gestão Marin, era apenas um vice que cumpria determinações.

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